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Jul 24

Dica#1 para melhorar suas produções:

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70% da qualidade do seu material está na coerência da sua performance!

 

Vamos começar falando da relação da banda com o produtor, e desmistificar um pouco a importância ou - falando de outra forma - qual é a verdadeira responsabilidade do produtor, e esclarecer o papel desse profissional na qualidade da sua gravação.

 

Um produtor é importante para organizar suas ideias com o olhar técnico do que será gravado, ele consegue pensar no seu arranjo imaginando os overdubs, linhas adicionais, organizar os espaços para organizar os elementos adicionais, testar os limites de cada músico.

 

Mas o produtor não vai transformar uma banda ruim em uma banda boa; uma música ruim em uma boa; e principalmente não vai conseguir trazer performance se o músico não se sentir seguro, e imerso na sua própria composição.

 

Com bandas e artistas independentes, nós partimos pelo princípio que tudo é feito pela banda; e quando falamos de mainstream, as composições são compradas e os artistas são intérpretes da canção. Mas no cenário independente isso raramente acontece; e os artistas estão completamente envolvidos na sua composição.

 

Podemos usar como exemplo o mainstream neste capítulo para ilustrar a importância da performance, nesses casos o que o produtor faz é a imersão dos músicos com o artista na composição, que se foi comprada em um catálogo podemos presumir que é boa. Nesse caso basta ser bem tocado, com instrumentos certos; performance coerente; e essa equação corresponde a mais de 70% da qualidade final.

 

Não imagine que um bom produtor, ou um excelente estúdio vão fazer a sua música ficar boa; isso é um completo equívoco! De nada adianta um microfone Telefunken em um violão Martin; em uma mesa Neve com compressores Manley se você não conseguir tirar do seu instrumento. Esses excelentes produtores e seus equipamentos não vão tocar por você!

 

Se sua música for ruim, de nada vai adiantar você investir rios de dinheiro em uma gravação em um excelente estúdio ou com um produtor premiado. O que vai acontecer se você fizer isso é que no final do processo você terá uma gravação plástica; cheia de edição igual a muitas outras coisas. As pessoas podem até ouvir e gostar (gosto não se discute, muito, rs); mas se a sua música não tiver coração; ela não vai cativar e engajar o público. Não seja prepotente, o público não é burro, eles percebem quando a música tem ou não aquela entrega do músico. Tampouco, considere como seu público a sua ampla rede de amizades!

Vamos olhar um pouco para o passado para ilustrar melhor o que estamos falando. Os melhores discos da história não são as melhores gravações. E digo mais; se entrarmos em uma análise técnica mais profunda; veremos que a qualidade de muitas gravações são péssimas.

 

No começo das gravações multi-track, nos anos 60 ninguém sabia o que estava fazendo; os equipamentos de áudio para mixagem (compressores, equalizadores e etc) eram herança da segunda guerra mundial; e aos poucos os engenheiros iam colecionando e testando esses equipamentos que poderiam contribuir para a limpeza daquela gravação rudimentar. Ou seja, ninguém sabia direito o que estava fazendo, os engenheiros de som estavam experimentando; muitas das primeiras gravações stereo a bateria estava de um lado, guitarra do outro, baixo de um lado, vocal no meio… muito estranho; isso acabou até virando uma estética de mixagem; mas isso era pura experimentação.

 

A maioria das gravações dessa época - e estamos falando de Ray Charles; Etta James; Beatles; Jonny Cash; Frank Sinatra e etc - não são as gravações que falam mais alto; e sim a perfeição performática desses artistas; as canções eram perfeitas; a performance era perfeita; e a gravação era a melhor possível.

 

Hoje em dia o cenário técnico é bem diferente, você consegue gravar com muita qualidade, em qualquer estúdio que consiga gravar que tenha uma interface razoável de 16 canais simultâneos; que tenha uma coleção bacana de plug-ins; e dessa forma você pode deixar a sua performance e a sua canção respirar.

 

Com toda a certeza do mundo: se sua canção for boa; se tua performance estiver concisa; verdadeira; se você souber afinar bem seus instrumentos; trabalhar com o seu equipamento; escolher bem seu equipamento pessoal; você não vai precisar de um setup de estúdio dos sonhos.

 

Lembre-se: vc toca canções; não toca compressores; equalizadores ou prés valvulados; isso existe para que suas canções brilhem. Mas sem performance a suas canções são um portfólio digital de algum técnico; não são mais do que "zeros e um".

 

Mais uma vez, é muito importante que você coloque a bola no chão e faça uma analise isenta de sentimentos pela sua banda. Seja capaz de ouvir muitas críticas de um produtor, e evolua profissionalmente. Não estou falando sobre liberdade criativa, e sim sobre EGO.

 

Se considerarmos agora, que sua performance é coerente, e que está tudo bem colado na sua composição, seria uma insanidade dizer que um excelente estúdio e/ou um grande produtor não elevaria a barra da sua sonoridade. Logicamente que um bom estúdio ajuda - e muito - muito nesse caso; porém, um estúdio razoável; com preço razoável; com excelente aporte técnico; podem ser uma ótima saída para sua canção!

 

 

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  • Não grave demos, grave singles ou EP's Primeiramente vamos aos fatores históricos da "fita demo". Depois de algumas coisas que falamos no post Dica#1 como a performance; a qualidade da sua composição; vamos então desenvolver algumas análises sobre a tal DEMO, e o cenário da indústria musical até o fim dos anos 90 que ainda existiam muitas grandes gravadoras; de médio e pequeno porte - mas era uma realidade do mercado. Você só teria continuidade em uma carreira musical até então, se você conseguisse um contrato com alguma gravadora. E quando as bandas conseguiam um contrato, a gravadora designava um produtor musical e um estúdio para a gravação sob a supervisão da gravadora que estava investindo dinheiro em artista. Então naquela época não valia a pena gravar seu disco de forma independente, era caro e de certa forma era perda de tempo, tendo em vista que muitas gravadoras queriam ter controle de todo o processo. Então os artistas iam para o estúdio gravar uma DEMO, era popularmente chamada de fita demo, porque vinha de uma gravação mixada para uma fita K7 que era então enviada para as gravadoras com o intuito de demo nstrar o potencial da banda ou do artista. Hoje em dia o papel dessa demo mudou. Ela não é mais um recurso para conseguir um contrato com uma gravadora, mas ainda é importante para o artista independente sentir como estão as suas composições; mostrar para alguns amigos; produtores, e usar essa demo como uma pré produção. Se a banda ouvir essa demo por um tempo e se sentir confortável com todas as linhas criativas das canções; desse ponto em diante pode-se começar a gravação definitiva. O ideal é ensaiar muito a partir dessa demo, gravar mais uma e comparar, sua banda com certeza vai notar uma grande diferença entre as duas demos . Mas preste muita atenção em um ponto importante sobre as Demos: uma coisa ainda não mudou nas demos modernas; elas não são feitas para serem lançadas! Segure sua ansiedade e mantenha essa demo secreta; ela é uma projeção de um trabalho futuro. historicamente as demos não são para serem lançadas; elas eram descartadas ou escondidas a sete chaves após a contratação da banda por alguma gravadora. Hoje em dia, divulgar uma gravação rudimentar pode ser uma ação falha dentro das estratégias de divulgação modernas. Atualmente existe muito tráfego e velocidade de informação. Caso sua banda cometa um erro estratégico na fase embrionária, é muito difícil que isso possa ser revertido. Um seguidor perdido quando a sua banda é iniciante é praticamente um seguidor inexistente no futuro; então segure a sua ansiedade e de cada passo no seu tempo. Planejamento e seriedade são fundamentais para qualquer estratégia de marketing. Depois dessa demo você vai lançar um Single; um EP; um disco! Nunca lance demos!